10. CULTURA 12.9.12

1. CINEMA - O MALANDRO PAULISTA
2. LIVROS - A PAPISA SECRETA
3. TELEVISO - NA PASSARELA COM ANA HICKMANN
4. EM CARTAZ  MSICA - VOZ ROUCA NA ELETRNICA
5. EM CARTAZ  ARTE - PAISAGEM RENOVADA
6. EM CARTAZ  LIVROS - TRABALHO DE LUTO
7. EM CARTAZ  CINEMA - TRAIO  FRANCESA
8. EM CARTAZ  TEATRO - PASSEIO COM O PBLICO
9. EM CARTAZ  AGENDA - VIP/GIRLS/ALAIN
10. ARTES VISUAIS - BIENAL EM EXPANSO
11. ARTES VISUAIS - BRASIL COM Z
12. ARTES VISUAIS - ESPECIAL ARTRIO FAIR - ENTREVISTAS COM CINCO GALERIAS INTERNACIONAIS
13. ARTES VISUAIS - ESPECIAL ARTRIO FAIR - TRS GALERISTAS BRASILEIROS COMENTAM SOBRE A PARTICIPAO NA FEIRA
14. ARTES VISUAIS - Especial ArtRio Fair - Entrevista Brenda Valansi

1. CINEMA - O MALANDRO PAULISTA

O filme "Boca" conta a histria de Hiroito Joanides, que nos anos 1950 reinou na regio de so paulo conhecida como boca do lixo, atual cracolndia 
Ivan Claudio

O CHEFO DA BOCA - Daniel Oliveira no papel de Joanides: culos de grau,  prtese no queixo e dilatador atrs das orelhas
 
Sempre que se fala no malandro do passado, dono de elegncia e de uma tica um tanto duvidosa, a imagem que vem  mente  a do bandido carioca. Com o seu terno de linho branco e a sua ginga de sambista, ele deu origem a uma representao to icnica quanto a do caubi americano ou a do gondoleiro veneziano. Tornou-se um produto de exportao. Malandros, no entanto, existem em qualquer lugar. Seu sucedneo paulista nos tempos romnticos anteriores ao crime organizado tinha traos bem diferentes: no gostava de se destacar da massa e aproveitava o visual comum do terno escuro e do chapu de feltro para transitar na zona cinza do anonimato. Alguns se destacaram pela crueldade e ganharam fama, caso de Hiroito de Morais Joanides (1936-1992), cuja trajetria de explorador do meretrcio e traficante de drogas nos anos 1950 e 1960  retratada no filme Boca, que estreia nas prximas semanas aps cumprir carreira premiada em diversos festivais.
 
Lanado primeiro no Exterior, onde foi apelidado de O Poderoso Chefo brasileiro, o filme de Flavio Frederico no tem o lado pico da obra de Francis Ford Coppola e dela se aproxima apenas por retratar uma figura que mandou e desmandou no mundo do crime. No caso, a Boca do Lixo, no centro de So Paulo, regio tambm conhecida como Quadriltero do Pecado, que deu lugar  chamada Cracolndia  Joanidades, interpretado no filme por Daniel Oliveira, era conhecido, alis, como O Rei da Boca. Era uma figura em tudo curiosa. De oriental, por exemplo, ele no tinha nada: seu nome foi uma homenagem que seu pai, de origem grega, fez ao imperador japons Hiroito. Amante dos clssicos, foi um leitor voraz de Victor Hugo, Ernst Hemingway, Jack London, Walt Whitman e Charles Baudelaire. Sua lista de crimes, inclusive, poderia preencher um livro. Fala-se em cerca de 170 passagens pela cadeia e de uma ficha policial de 20 metros de papel.

QUADRILTERO DO PECADO - Hermila Guedes ( esq.), como Alade, e duas colegas: prostitutas desafiavam a polcia
 
Foi na cadeia, ao cumprir pena de sete anos, que o criminoso escreveu o livro Boca do Lixo, em que se baseia o filme  ao ser lanado em 1977, a obra foi best seller e vendeu mais de 30 mil exemplares. Frederico, contudo, afirma que usou essa autobiografia apenas como um guia: Ele fazia marketing pessoal, nem tudo o que dizia sobre si mesmo era verdade. As passagens mais inacreditveis da trama, no entanto, foram confirmadas nas pginas policiais da poca. Eis duas delas: a espetacular fuga fantasiado de mulher, quando o apartamento em que estava foi cercado pela polcia; e a estratgia de praticamente viver circulando por So Paulo durante dois meses dentro de um fusca para despistar os investigadores  para no dormir, passava o tempo se drogando com a anfetamina Pervitin, apelidada de perversa pelos usurios.
 
O rigor da pesquisa histrica, que resgatou detalhes como o uso dessa droga comprada em farmcias, permitiu narrar com fidelidade episdios como as batidas policiais em prostbulos (os soldados destruam todo o mobilirio a machadadas e depois o atiravam nas ruas) ou a prtica das mulheres em se exibir aos clientes atravs de venezianas. A reconstituio da poca, no entanto, no foi fcil. Fazer filme histrico em So Paulo  uma tragdia. No sobrou uma rua de paraleleppedo, diz Frederico. A soluo foi garimpar locaes em bairros deteriorados como o Brs e o Pari. Outra sada foi rodar externas no centro histrico de Santos, que preserva construes do perodo. Mais complicado ainda foi enfear o protagonista, interpretado por Oliveira. Como o Joanides real, ele usou culos de fundo de garrafa e ressaltou os traos pouco generosos do personagem, com uma prtese no queixo e um dilatador de nariz na regio do ouvido, o que o deixou com orelhas de abano. Tais particularidades no impediram Joanides de viver cercado de beldades, como Alade, interpretada por Hermila Guedes, a prostituta que ele tirou das ruas e com quem se casou, ou a exuberante loira Silvinha, ex-miss Petrpolis, defendida com garra por Leandra Leal.


2. LIVROS - A PAPISA SECRETA

Oficialmente, sua santidade era Inocncio X. Nos bastidores, quem tomava as decises da Igreja era uma mulher: Olmpia Maidalchini, de grande tino para a poltica e os negcios
Marcos Diego Nogueira

O pontificado do papa Inocncio X (1574-1655), famoso pelo retrato que fez dele o pintor espanhol Diego Velsquez, foi marcado por reformas institucionais, oposio ao protestantismo e grande ateno s artes. No entanto, quem conduzia esses movimentos nos bastidores era uma mulher, Olmpia Maidalchini Phamphili. Cunhada do papa e extra oficialmente imposta por ele no Vaticano, Donna Olmpia era conhecida pelo tino para os negcios e pela esperteza poltica e, em decorrncia disso, passou a cuidar das finanas e lidar com as autoridades na Santa S. Sua trajetria dentro da Igreja Catlica foi uma histria embaraosa, como define a escritora americana Eleanor Herman na biografia Senhora do Vaticano (Objetiva), que descreve em mincias a atuao da chamada papisa secreta.

Sua influncia sobre Inocncio X, que assumiu o poder com idade avanada (70 anos), iniciou-se na forma de confidente e logo passou a incomodar a sociedade romana: devido aos constantes encontros entre os dois e com a agravante de que Olmpia tornara-se viva, suspeitava-se de uma relao amorosa entre eles. Nessas visitas sigilosas, ela utilizava uma passagem secreta existente nos jardins do Vaticano para que ningum, nem mesmo o mordomo, notasse a sua presena. A autora, no entanto, contesta esse romance. Acredita que a papisa passasse o tempo colocando em ordem as finanas da Igreja.

AUSTERA - Olmpia Maidalchini reduziu as despesas do Vaticano: economia nos salrios dos religiosos e nos luxos gastronmicos
 
Entre os itens que entraram no saneamento das contas, Eleonor alinha atividades suprfluas, salrios dos funcionrios e at luxos gastronmicos. No plano poltico, ela assumiu a dianteira e era quem recebia os dignitrios estrangeiros. Ou seja: ningum chegava ao papa antes de se tratar com Donna Olmpia. A autora cita o depoimento do embaixador veneziano da poca: Ela sabe como satisfazer seus desejos com a autoridade de um ministro. Tem inteligncia e espritos masculinos, s se revela como mulher por meio de sua altivez e avareza. Isso significava, na prtica, que todo e qualquer visitante da autoridade mor da Igreja Catlica deveria levar para ela um agrado  embora a maioria a odiasse. Ela agarrou o poder com todas as foras e acabou dirigindo o Vaticano, a instituio mais antifeminina da histria, transformando o prprio papa e muitos cardeais em suas marionetes, conclui a autora.


3. TELEVISO - NA PASSARELA COM ANA HICKMANN

A apresentadora abre as portas de sua casa para comandar uma competio em torno do assunto que mais entende: a moda
Marcos Diego Nogueira 

LOIRA DA VEZ - Alm de apresentadora, Ana  empresria de sucesso: novo reality procura uma modelo para a sua grife
 
Entronizada como a loira da Rede Record, a apresentadora Ana Hickmann, que j fazia sucesso com o dominical Tudo  Possvel, ganha mais um espao para seu charme e talento diante das cmeras. No ar desde a semana passada, tambm aos domingos, s 15h, com Top Model, o Reality, ela estreia na conduo de reality shows numa rea em que  especialista: a passarela. Verso renovada da atrao Americas Next Top Model (que foi exibida entre 2007 e 2009 pelo canal pago Sony), seu novo programa rene 24 candidatas a modelo que, at novembro, sero analisadas em relao  performance no catwalk, expresso em ensaios de moda e, tambm, nos conhecimentos gerais.
 
Ao final, a vencedora assinar um contrato de R$ 150 mil para ser o rosto da grife da apresentadora, que tambm ataca de empresria  ela movimenta anualmente cerca de R$ 150 milhes com produtos licenciados como jeans, cosmticos e culos de sol.
 
Com essa atrao sobre moda, que comeou bem ao registrar sete pontos de mdia no Ibope, Ana volta aos primrdios de sua carreira televisiva, quando comandou, na prpria Record, uma coluna sobre estilo em Tudo a Ver. Modelo desde os 15 anos, ela conta com a ajuda de conhecidos fashionistas para escolher a top ideal: o dono da agncia Way, Zeca de Abreu, os estilistas Dudu Bertholini e Gustavo Sarti, e o personal stylist Matheus Mazzafera. Ticiane Pinheiro, que tambm j trabalhou nas passarelas, acompanhou o processo de seleo nas seis capitais onde aconteceram as primeiras eliminatrias para o programa. Cada Estado leva  competio quatro representantes que ficaro durante todo o tempo confinadas na cidade de Itu, em um lugar muito especial: a prpria casa de campo de Ana Hickmann, uma manso avaliada em R$ 20 milhes, cujos ambientes foram mostrados no primeiro episdio. Enquanto abre a sua intimidade s suas pupilas  e ao espectador , Ana se prepara para retomar uma antiga parceria de sucesso com Britto Jr. na segunda fase do Programa da Tarde, com estreia marcada para esta semana.


4. EM CARTAZ  MSICA - VOZ ROUCA NA ELETRNICA

Endeusada por cineastas e por uma legio de roqueiros, a cantora americana Cat Power (chama-se na realidade Chan Marshall) mostrou, em 17 anos de carreira, que gosta de criar personagens. Ela j posou de junkie nos primeiros lbuns, assumiu o estilo crooner no disco Jukebox (interpretou standards como New York) e agora, no CD, Sun, encarna uma surpreendente diva da eletrnica. Cherokee, a faixa de abertura, j anuncia o tipo de som que vai se repetir ao longo das 11 faixas: um casamento de sua voz rouca s batidas sincopadas, guitarras e pianos. Mais para o final, Nothin But Me reserva um dueto de 10 minutos com Iggy Pop, quando a cantora entoa com o roqueiro o verso depende de voc para ser diferente de tudo. Com Sun, Cat Power fez muito bem a sua parte.

+5 FILMES COM CANES DE CAT POWER

Abraos partidos (foto)
 O estilo intenso da cantora na msica Werewolf caiu bem na trama melodramtica do filme de Pedro Almodvar
 
Juno 
Sea of Love embala a histria de uma garota que escolhe os pais adotivos para seu filho
 
Um Beijo Roubado 
Living Proof  ouvida nas cenas protagonizadas por Jude Law e Norah Jones, em sua estreia como atriz
 
Ricky
 A histria do beb que tem asas e pode voar tira bastante proveito da cano The Greatest, uma das melhores de Cat Power
 
V de Vingana
 Essa fico cientfica trata do totalitarismo e a cano I Found a Reason, presente na trilha sonora, da descoberta da esperana


5. EM CARTAZ  ARTE - PAISAGEM RENOVADA 
Uma cabea de mulher de 12 metros de altura est flutuando na Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro:  a escultura Awida, do artista catalo Jaume Plensa, que j se confunde com a paisagem mais famosa da Baa de Guanabara, com o Po de Acar ao fundo. A colocao de obras de arte nesse e em outros cartes-postais da cidade faz parte do projeto Outras Ideias para o Rio (OiR), que inclui os Arcos da Lapa, a Cinelndia, o Arpoador e Madureira.


6. EM CARTAZ  LIVROS - TRABALHO DE LUTO
a soluo pacfica para o conflito rabe-israelense, o escritor David Grossman foi uma de suas vtimas: perdeu o filho Uri em um confronto no sul do Lbano, em 2006
por Ivan Claudio
Defensor de uma soluo pacfica para o conflito rabe-israelense, o escritor David Grossman foi uma de suas vtimas: perdeu o filho Uri em um confronto no sul do Lbano, em 2006. Desde essa poca, o autor issraelense no conseguia abordar o assunto. Em Fora do Tempo (Companhia das Letras), um casal trata da dor da perda em um dilogo semelhante a um auto medieval. O tom  potico, s vezes bblico, mas sempre envolvente.


7. EM CARTAZ  CINEMA - TRAIO  FRANCESA
O lugar-comum de que homens traem mais do que mulheres  repetido no filme francs Os Infiis que estreia na sexta-feira 7. Na histria em episdios, sete cineastas mostram seu ponto de vista sobre o assunto, entre eles Gilles Lelouch, Michel Hazanavicius e Jean Dujardin, que faz a sua estreia como diretor. Os esquetes bem-humorados tm como ponto de convergncia o encontro de um grupo de apoio para viciados em sexo e o desenrolar de uma conferncia sobre o tema da traio. Consagrado com a premiao no Oscar, Dujardin causou estresse em seus agentes americanos, que acharam machista o contedo do filme.


8. EM CARTAZ  TEATRO - PASSEIO COM O PBLICO
O ambicioso projeto do grupo Teatro da Vertigem, de criar textos a partir da imerso em locais pblicos, sobe um patamar com o espetculo Bom Retiro 958 Metros, em cartaz em So Paulo at o dia 30. Corte vertical na histria desse bairro paulistano (antes habitado por judeus, hoje dominado pelas lojas coreanas), a pea conduz o espectador em um passeio por ruas lgubres, num trajeto labirntico que inclui um shopping e um teatro abandonado. No caminho, aps a retirada dos ingressos na Oficina Cultural Oswald de Andrade, assiste-se a monlogos e cenas musicais protagonizadas por atores interpretando lixeiros, faxineiras, seguranas, usurios de crack e costureiras bolivianas que varam a noite em trabalho escravo.


9. EM CARTAZ  AGENDA - VIP/GIRLS/ALAIN

Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

VIP VOP
 (Bourbon Street, So Paulo, 12/9)
O saxofonista Leo Gandelman lana o seu novo CD que traz msicas como Sinal Vermelho e Nego T Sabendo
 
GIRLS
 (HBO, tera-feira, 21h)
Indicada a cinco prmios Emmy, a srie cmica trata do cotidiano de quatro amigas nova-iorquinas, na casa dos 20 anos.  considerada a verso de Sex and the City para os tempos de crise econmica
 
ALAIN RESNAIS
 (Cinemateca, So Paulo, at 23/9)
Mostra em homenagem aos 90 anos do diretor francs, um dos maiores cineastas vivos, autor de Hiroshima, Meu Amor


10. ARTES VISUAIS - BIENAL EM EXPANSO
Curador venezuelano Luis Prez-Oramas organiza 2.900 obras de 111 artistas em constelaes e realiza 12 exposies em uma
por Paula Alzugaray

30 Bienal de So Paulo/ A Iminncia das Poticas/Pavilho da Bienal, SP/ de 7/9 a 9/12

ANTIMONUMENTAL - Thiago Rocha Pitta usa terra e cimento em metfora ao desaparecimento
 das fronteiras, na instalao "Monumento  Deriva Continental"
 
As exposies de arte so geralmente organizadas segundo um grande conceito que norteia a escolha de todas as obras. Mas Luis Prez-Oramas, o primeiro curador estrangeiro a coordenar a Bienal de So Paulo, prope 12 conceitos para a 30a Bienal. A construo da imagem, a teatralidade, o objeto encontrado, o mundo ficcionalizado, a dimenso sonora da imagem, a serialidade, o olhar antropolgico sobre a realidade cotidiana, o inesperado, a linguagem, o mbito pblico, o arquivo, o territrio. Temos a 12 temas pungentes da produo artstica contempornea, que dividem os 25 mil metros quadrados do Pavilho da Bienal, na mostra A Iminncia das Poticas.
 
Sem apelar para grandes estrelas, a Bienal de Oramas oferece um panorama contundente da arte mundial, apresentando microexposies de cada um dos 111 artistas convidados. Segundo o curador, elas correspondem a constelaes pessoais desses artistas. Em Bienais anteriores tnhamos salas especiais dedicadas a artistas histricos, mostrando a diversidade de sua obra. Agora todos os artistas tm direito a salas especiais, porque afinal todos so especiais, diz o presidente da Fundao Bienal, Heitor Martins,  Isto. Sabemos que as obras no produzem sentido sozinhas, mas pertencem ao mundo e suas relaes. Por isso fizemos uma bienal constelar, afirma o curador Luis Prez-Oramas. Fizemos uma Bienal para a ressonncia dos artistas e de suas obras. Uma Bienal inteligente, no bombstica, cheia de vnculos construdos e por construir, completa.

MULTIDISCURSO - Instalao "Silence", de David Moreno, ilustra bem as mltiplas vozes desta Bienal 
 
Nos vnculos construdos por Oramas, a instalao Monumento  Deriva Continental, do artista mineiro Thiago Rocha Pitta, por exemplo, pertence ao mesmo universo conceitual dos prottipos de carros utpicos criados pelo norte-americano Dave Hullfish Bailey. Ambos so artistas que trabalham com territrios, trajetos, percursos, distncias. J David Moreno, que na obra Silence joga com a visualidade do som, interage com obras sonoras como Imperial Distortion, do msico e artista visual australiano Marco Fusinato, ou com os trabalhos da compositora, performer 
e artista Maryanne Amacher.
 
Assim, as microexposies dos 111 artistas se espalham na Bienal, como universos particulares que se relacionam entre si. Porm, a exposio no se concentra em apenas 12 constelaes, adverte Oramas, sugerindo que o conceito se expande para alm do espao expositivo. Estimulada pela proposta, a comunicao visual da mostra, comandada por Andr Stolarski, projetou 30 cartazes em vez de apenas um. O aplicativo para iPad e celular  outra forma de materializao constelar da mostra. Realizado em parceria com a revista seLecT, o app #30Bienal seLecTed  powered by Bloomberg vai permitir, alm de uma viagem imersiva, que cada visitante crie e compartilhe com outros visitantes suas prprias constelaes de obras e conceitos contidos na exposio, expandindo e multiplicando aquilo que  visto no recinto da mostra.

PARTCULAS - A instalao "One Year Performance", do taiwans Tehching Hsieh (no alto);  tela do aplicativo da Bienal, que leva para o espao virtual o conceito das constelaes

No contrafluxo do movimento expansionista da curadoria, a gesto de Heitor Martins apresenta nmeros em encolhimento: este ano a Bienal foi realizada com R$ 22,4 milhes. A Bienal est 20% mais enxuta que a edio passada. Essa reduo  reflexo da busca por um modelo sustentvel. A longo prazo, queremos ser um exemplo de gesto cultural, disse o presidente da Bienal.



11. ARTES VISUAIS - BRASIL COM Z
Com a participao de importantes galerias estrangeiras como a Gagosian e a David Zwirner, a feira ArtRio dobra sua rea e prova que os olhos do mundo esto voltados para a arte brasileira 
Paula Alzugaray e Nina Gazire

 GRANDES APOSTAS - Serena Cattaneo Adorno, diretora da Gagosian de Paris, e uma tela  venda
 de Takashi Murakami: pacote de 80 obras no valor de US$ 130 milhes

Em sua segunda edio, a feira ArtRio, que acontece a partir da quinta-feira 13 no Rio de Janeiro, dobrou a rea expositiva e aposta em vendas superiores a R$ 150 milhes, um crescimento de 25% no faturamento.
 
O que salta aos olhos, no entanto,  como essa performance sinaliza para a crescente participao da Amrica Latina no mercado internacional  com o Brasil  frente. Entre as 120 galerias participantes (contra 83 no ano passado), a Sonnabend Gallery, de Nova York, marca presena abrindo mo de participar de qualquer outro evento do gnero no mundo. O aumento do nmero de colecionadores interessados em arte brasileira  algo que nos atrai, disse  Isto o seu diretor, Jason Ysenburg. Comprometida com 15 feiras internacionais, a tradicional David Zwirner Gallery vem  Amrica do Sul pela primeira vez. Trata-se de uma plataforma essencial para atingirmos compradores privados e tambm museus, afirma o seu diretor de venda, Greg Lulay.
 
Nmeros recentemente revelados respaldam essas expectativas: pesquisa da Associao Brasileira de Arte Contempornea (Abact), em conjunto com o programa setorial integrado (Apex), aponta que, nos ltimos dois anos, o volume de negcios de galeristas brasileiros cresceu, em mdia, 44%, bem acima de outros setores da economia. Ainda segundo a Apex, o Brasil  o pas que mais exporta arte em sua regio.  um aumento de 225% no perodo entre 2010 e 2011. Esses ndices so extremamente atraentes para as galerias da Europa e dos EUA, que apostam nas feiras brasileiras, fugindo de seus mercados em crise e mudando o foco de investimentos aps o flerte com Rssia e China.
 
A Gagosian, por exemplo, reuniu 80 obras de 30 estrelas como Damien Hirst, Takashi Murakami e Pablo Picasso, avaliadas entre US$ 10 milhes e US$ 15 milhes. Segundo estimativas da Bloomberg, o pacote totaliza US$ 130 milhes. A coincidncia do evento com a Bienal de So Paulo e a abertura de novos pavilhes em Inhotim (MG) contribuiu para o clima positivo. Esperamos que esse ambiente traga mais colecionadores e curadores internacionais ao Brasil, diz Serena Cattaneo Adorno, diretora da filial de Paris da Gagosian. Outro fator de atrao  a iseno de 100% de ICMS para obras comercializadas dentro da feira, benefcio tambm concedido  SP-Arte. Na avaliao de galeristas brasileiros, contudo, estamos distantes das facilidades oferecidas pelo mercado europeu, com taxas inferiores  metade dos valores cobrados aqui. As polticas pblicas favorecem os automveis brasileiros, mas fazem o contrrio em relao  arte, afirma a galerista Luisa Strina, de So Paulo. Segundo Alessandra DAloia, diretora da Galeria Fortes Vilaa, o imposto sobre a importao de obras de arte  de 60%. Devido ao potencial de negcios, o governo diminui as taxas durante a feira e atrai galerias a investir no Pas. Mas isso est longe de ser a soluo, afirma ela.
 
Quando esteve  frente da Abact, Alessandra encomendou uma pesquisa que j apontava esse momento favorvel. Da casa de leiles Christies  European Fine Art Foundation, produtora de um dos mais importantes relatrios sobre o mercado de arte, o Tefaf, todos se mostravam de olho no Brasil. Clare McAndrew, organizadora do Tefaf, acaba de me contatar. Quer ter um captulo sobre o Pas no relatrio de 2013, diz Ana Leticia Fialho, autora da pesquisa. Sociedade entre empresrios dos setores de arte, entretenimento e comunicaes, que esto investindo R$ 9,5 milhes, a ArtRio  empreendimento em expanso. Nosso objetivo no  crescer em nmeros, mas em qualidade e eventos paralelos, afirma Brenda Valansi, uma das scias da ArtRio.
 

Entrevista com Serena Cattaneo Adorno, diretora da Gagosian em Paris
 
A galeria de arte contempornea Gagosian se tornou um fenmeno ao criar um novo modelo mundial de negcios para o mercado de arte. Criada pelo marchand norte-americano Larry Gagosian no incio dos anos 1980, em Los Angeles, hoje a galeria possui filiais em oito cidades da Europa e da sia, representando grandes nomes da arte contempornea e da arte modernacomo o britnico Damien Hirst, Alberto Giacometti e a japonesa Yayoi Kusama. A presena inditaq da galeria na ArtRio Fair representa um passo importante no mercado Brasileiro de arte contempornea e o crescimento do Brasil como um local importante para novos e emergentes colecionadores. A italiana Serena Cattaneo Adorno, diretora da filial parisiense da Gagosian conversou com a revista Isto por e-mail a respeito da participao indita em uma feira brasileira e o sobre o interesse da galeria no mercado de arte latinoamericana:
 
De quantas feiras de arte a Gagosian participar no ano de 2012 e quais so essas feiras?
 
Participaremos de oito feiras internacionais. Dentre elas a Art Basel que acontece na Sua, na verso dessa mesma feira nos EUA, a Basel Miami, da FIAC -Foire Internationale d'Art Contemporain, que  a mais importante feira de arte da Frana. Da Frieze London, Frieze Nova York, da Paris Photo, da Hong Kong Art Fair, que  a cidade onde abrimos nossa mais recente filial no incio do ano passado e claro, da ArtRio.
 
O que levou vocs a participarem da ArtRio Fair?
 
A ArtRio teve um timing timo para a gente e se encaixou perfeitamente em nosso calendrio. Ela coincidiu com a Bienal de So Paulo e a inaugurao de novos pavilhes no Centro de Arte Contempornea do Inhotim, localizado prximo  Belo Horizonte. Achamos que essa confluncia de acontecimentos poder atrair mais colecionadores e curadores, ento nos pareceu o momento ideal de virmos participar de uma feira brasileira.
 
Vocs traro trabalhos de todos os artistas que so representados pela galeria? Quais desses artistas vocs acham que tero fora no mercado de arte brasileira?
 
Dentre os artistas que ns traremos esto John Chamberlain, Alexander Calder, Yayoi Kusama, David Smith, Robert Rauschenberg, Marc Newson, Giuseppe Penone e Franz West. Isso nos dar uma oportunidade incrvel de apresentar aos colecionadores brasileiros um espectro mais amplo do nosso elenco de artistas. Acho que um dos pontos mais fortes da galeria  a qualidade da arte e dos artistas que ns representamos. Ns temos muitas obras que vm direto do ateli do artista, o que para muitos colecionadores  mais atraente e excitante. Eles tambm podero adquirir obras importantes pelo preo que a galeria estabelece, ao invs de comprarem por meio de leiles e outros intermedirios.
 

Como ser o espao de vocs na feira j que vocs vo trazer um grande obras de grande porte, como por exemplo, as do escultor Richard Serra?
 
A organizao da feira foi muito generosa e nos ofereceu um espao de 1 km para expormos as esculturas e outras obras de grande porte. As esculturas sero colocadas em um dos galpes no restaurados adjacentes ao espao da feira, onde o ambiente e a luz natural so muito inspiradores. Para essa exposio, ns estamos trabalhando em colaborao com a designer e arquiteta Claudia Moreira Salles, que ir criar um visual simples que ns permitir exibir uma variedade de trabalhos dos artistas e esplios que representamos.
 
Vocs possuem colecionadores brasileiros entre os seus clientes? A galeria pretende representar artistas do Brasil?
 
Sim, ns temos muitos clientes brasileiros. No momento, ns no planejamos nenhuma exposio ou representao de artistas da Amrica Latina. No entanto, poderemos conhecer artistas ou esplios que no futuro podem resultar em uma exposio nas nossas galerias. Mas, nada  concreto ainda.
 
Vocs j estiveram na Bienal de So Paulo anteriormente? Qual  o conhecimento e relacionamento da Gagosian com a arte contempornea brasileira?
 
Eu visitei a Bienal de So Paulo em diferentes ocasies. Meu pai nasceu no Rio; era carioca. Portanto, eu viajo ao Brasil desde a minha infncia. Eu sou muito amiga do Tunga e venho colecionando arte brasileira h alguns anos. Eu tambm um grande interesse pelo design brasileiro.
 
Como foi exibio da exposio Brazil: Reinvention of the Modern _ que apresento seis dos mais importantes artistas Neo-Concretos dos anos 1960 e 1970_ quando ela aconteceu na Frana? Como foram as vendas?
 
A exposio foi extremamente bem recebida e aclamada tanto pela imprensa internacional quanto pela imprensa francesa. Muitos curadores europeus visitaram a exposio j que este  um perodo da arte brasileira mais desconhecido por aqui. Eu sempre pensei que seria importante ter uma exposio sobre o Neoconcretismo na Frana, j que inmeros artistas do movimento viveram em Paris. O interesse foi grande, dois colecionadores adquiriram trabalhos e doaram  instituies pblicas, o que de claro, foi um resultado muito satisfatrio. Eu sinto que as taxas de importao e transporte criaram uma grande barreira para o dilogo entre a arte brasileira e a cena internacional.
 
Como a Gagosian sintiu o impacto da crise econmica no mercado de arte internacional. Quais foram os mercados e feiras menos afetados?
 
Eu acho que quando o trabalho tem qualidade, ele no  afetado pela crise econmica e isso , talvez, uma demonstrao de fora quando se est em momento de mudanas no cenrio econmico. Ns predominantemente trabalhamos com artistas estabelecidos o que torna o nosso mercado muito slido. Eu acredito que a Art Basel ainda  a feira mais forte, mas muitas feiras e eventos similares surgiram nos ltimos anos, sendo agregadas ao calendrio de colecionadores que no d nem tempo de acompanhar o verdadeiro impacto da crise no mercado de arte.

12. ARTES VISUAIS - ESPECIAL ARTRIO FAIR - ENTREVISTAS COM CINCO GALERIAS INTERNACIONAIS

Confira as entrevistas com os representantes das galerias
Paula Alzugaray e Nina Gazire


 Galerista David Zwirner ao lado de obra que trar ao Brasil
 
Entrevistas com cinco galerias internacionais participantes da Art Rio Fair
 
Entre os dias 13 e 16 de setembro, a segunda edio da ArtRio Fair coloca o Brasil em destaque no calendrio das feiras de arte internacionais. Das 120 galerias que estaro no evento, metade corresponde a participao de galerias internacionais: 60 ao todo. Em uma srie de entrevistas especiais a Revista Isto conversou com alguns dos diretores das mais importantes galerias mundiais sobre o crescimento do interesse do mercado de arte internacional na arte latino-americana e sobre as expectativas em relao ArtRio Fair. Confira abaixo a entrevista com os representantes das galerias Sikkema & Jenkins CO (Nova York), Kai Kai Kiki (Japo), Gagosian (Paris), David Zwirner (New York), Sonnabend Gallery (Nova York) e Tania Bonakdar (Nova York)
 

Entrevista Katie Rashid, diretora da galeria Sikkema & Jenkkins CO.  Nova York

Por que a ArtRio Fair foi includa no calendrio de eventos da galeria Sikkema & Jenkins Co.? De quantas feiras a galeria participar este ano?
 Ficamos interessados em participar da ArtRio Fair desde a primeira edio da feira, no ano passado. Consideramos o fato de que nossa galeria representa artistas do Brasil e demais pases da Amrica do Sul e que, portanto, j tnhamos alguma presena na regio. Estamos ansiosos para rever nossos clientes, com os quais j trabalhamos h anos e v-los visitando nossa galeria, s que agora em seu prprio pas natal. Alm da ArtRio Fair, j participamos de cinco feiras este ano.
 
Quais foram os critrios da galeria ao selecionar os artistas que sero mostrados no Rio?
 Escolhemos incluir uma seleo representativa do nosso elenco, mostrando artistas que so do pas ou que j tiveram exposies no Brasil, como Vik Muniz, Janaina Tschape, bem como a Kara Walker, cujo trabalho j foi apresentado na Bienal de So Paulo em 2002, e a artista Sheila Hicks que participar desta edio da Bienal.
 
Quais so as expectativas da galeria em relao a ArtRio Fair?
 A participao na feira ser uma tima oportunidade para prospectarmos e apresentarmos nosso programa e assim expandir nossos relacionamentos. Esperamos fazer novos clientes e tornar mais forte as relaes que j temos com o Brasil e a Amrica Latina.
 
Entrevista com coletivo de arte e design Kai Kai Kiki, da Galeria Kai Kai Kiki -Tokyo

Por que a galeria decidiu incluir a RioArt Fair em seu calendrio de atividades e feiras em 2012? De quantas feiras a galeria ir participar neste ano?
 Recentemente, ns participamos de muitas feiras na Amrica Latina e recebemos uma resposta muito calorosa. A maneira como as pessoas vem e apreciam arte por a  muito similar a maneira do Japo. Alm da feira do Rio, participamos do Armory Show de Nova York, Zona Maco, SP Arte, Art Melbourne, Art Hong Kong e Art Stage Singapore. Por apreciar muito a cermica japonesa, Takashi Murakami abriu outra galeria dedicada  venda de cermicas e outros itens, e por isso participaremos da Sofa Chicago, que  uma feira dedicada s artes aplicadas.
 
Qual foi o critrio de seleo da galeria para escolher os artistas que sero mostrados na ArtRio Fair?
 Se tivssemos que descrever em apenas uma nica palavra os nossos critrios seriam definidos pela expresso polinizao. Ns exibimos artistas que quebram as fronteiras japonesas e cujo trabalho  amplo e de difcil classificao de gnero ou prticas metodolgicas. Por outro lado, nossos artistas produzem obras em um contexto particular cultural e ao mesmo tempo criam algo universal. Para a ArtRio Fair estamos considerando o clima e o contexto cultural do lugar, fazendo um esforo consciente para escolher artistas cujos temas e cores se encaixam nesses requisitos.
 
Quais so as expectativas da galeria em relao a ArtRio Fair?
 Ns sempre consideramos o modo de vida e o gosto de cada rea das feiras que participamos. Para o Brasil, nosso objetivo  o de agradar com obras vvidas e apaixonantes.
 
Entrevista com Greg Lulay, diretor da David Zwirner Gallery- Nova York

Porque a ArtRio Fair foi includa no calendrio de feiras da galeria para o ano de 2012? De quantas feiras a galeria ir participar este ano?
 A galeria participar de 15 feiras internacionais neste ano de 2012. Nos ltimos anos, participamos de feiras nos EUA, Europa, Asia, Amrica Latina e Oriente Mdio e achamos que agora  a ocasio ideal para adicionar a ArtRio Fair no nosso programa, devido ao crescimento de colecionadores advindos dessa regio. A ArtRio  um marco porque  a primeira vez que a David Zwirner Gallery participar de uma feira na Amrica do Sul. E nossa deciso foi dada devido  longa tradio de colecionismo no Brasil. Construmos um relacionamento de peso com colecionadores brasileiros, que possuem colees centradas no perodo Neoconcreto. Nos ltimos tempos, esses colecionadores voltaram suas atenes para o Modernismo Internacional e para artistas da Arte Contempornea, incluindo alguns artistas do Minimalismo. A tradio do Colecionismo est combinada ao crescimento econmico brasileiro que tambm est fomentando o surgimento de novos colecionadores.
 
Qual critrio a galeria usou para escolher em seu elenco os artistas que sero apresentados nessa edio da ArtRio Fair?
 A galeria planeja exibir grandes trabalhos feitos por artistas Minimalistas e Conceituais como Donald Judd, Dan Flavin, Fred Sandback, On Kawara e John McCracken. Tambm apresentaremos alguns trabalhos dos principais fotgrafos contemporneos como Thomas Ruff, Stan Douglas, Philip-Lorcca diCorcia, James Welling e Christopher Williams, rodeados pela obra-prima do pintor americano Alice Neel. Tambm teremos o trabalho de Francis Als e Chris Ofili.
 
Quais so as expectativas da galeria em relao a essa edio da ArtRio Fair?
 A feira ser uma plataforma essencial para a galeria atingir tanto colecionadores privados quanto museus. Estamos ansiosos em mostrar nosso programa aos curadores da regio, bem como nossos artistas esperam participar de mais eventos na Amrica do Sul.
 
Entrevista com Tanya Bonakdar, diretora da galeria Tanya Bonakdar- Nova York

Porque a ArtRio Fair foi includa no calendrio de feiras da galeria para o ano de 2012? De quantas feiras a galeria ir participar este ano?
 
A galeria participa da Art Basel, da Miami Basel, Frieze de Londres, e agora Frieze Art Rio. Ns sempre tivemos um circuito internacional para nossos artistas. Ns sentimos que  essencial como galeria a projetar nosssos artistas para alm do mbito nacional. Uma das maneiras de fazer isso  participar de feiras de arte. Quando participamos da Art Basel em junho e da Frieze Londres, em outubro, queremos atingir o pblico europeu que no tem oportunidade de nos visitar em Nova York. Da mesma forma, quando estamos na Frieze Nova York e na Miami Basel, estamos alcanando o pblico americano. Agora participando de Arte do Rio, queremos chegar aos pblicos latino-americanos.
 
Qual critrio a galeria usou para escolher em seu elenco os artistas que sero apresentados nessa edio da ArtRio Fair?
 Vamos trazer obras de Ernesto Neto, Olafur Eliasson, Tomas Saraceno e Thomas Scheibitz. Ns sentimos que esses artistas tm fora no mercado brasileiro por causa de sua presena no Brasil em Bienais passadas e em exposies por a. Recentemente, Olafur teve sua primeira exposio individual na Amrica Latina, em So Paulo, em um show multi-local, no Sesc Belenzinho, SESC Pompia, e Pinacoteca do Estado. Tomas Saraceno participou da Bienal de SP em 2006 e Thomas Scheibitz em 2004.
 
Quais so as expectativas da galeria em relao a essa edio da ArtRio Fair?
 A galeria vem trabalhando com artistas brasileiros h um longo tempo. Fizemos a primeira mostra de Ernesto Neto em 1997, Sandra Cinto, em 1999, e Rivane Neuenschwander, em 2006. Visatmos as Bienais de SP desde 1994, com curadoria de Paulo Herkenhoff e Adriano Pedrosa , que exibiu o trabalho de Ernesto Neto, Sandra Cinto e Olafur Eliasson, que so representados por ns. A conexo com o Brasil sempre foi importante e os colecionadores brasileiros demonstraram apoio ao nosso programa ao longo dos anos. Estamos ansiosos para continuar a desenvolver esse relacionamento no ArtRio.
 
Entrevista com Jason Ysenburg, Diretor da Sonnabend Gallery- Nova York

Porque a ArtRio Fair foi includa no calendrio de feiras da galeria para o ano de 2012? De quantas feiras a galeria ir participar este ano?
 Este ano participaremos apenas da ArtRio Fair. Privilegiamos a Feira em nosso programa de eventos devido a importncia que o mercado latino-americano vem ganhando. O crescimento do nmero de colecionadores interessados em arte brasileira tambm  algo que nos atrai.
 
Qual critrio a galeria usou para escolher em seu elenco os artistas que sero apresentados nessa edio da ArtRio Fair?
 Ns queremos reproduzir na ArtRio aquilo que fazemos enquanto galeria aqui em Nova York. O que posso revelar a princpio,  que transformaremos nosso estande em uma instalao provocativa.
 
Quais so as expectativas da galeria em relao a ArtRio Fair?
 Nossa principal expectativa  a de estabelecer novos dilogos com novos colecionadores da regio e conhecer os curadores dos museus e instituies culturais da Amrica do Sul.Ns acreditamos que  importante investir em coisas que possuem relevncia para a nossas prprias ideias, modo de vida e interesses. Inclusive, representamos artistas que refletem o nosso modo de pensar. Estamos buscando novas oportunidades e novos horizontes para no dependermos exclusivamente de um cenrio em crise a qual tambm acreditamos que ser passageira.


13. ARTES VISUAIS - ESPECIAL ARTRIO FAIR - TRS GALERISTAS BRASILEIROS COMENTAM SOBRE A PARTICIPAO NA FEIRA

Confira as entrevistas com as galeristas Luciana Brito (Luciana Brito Galeria), Alessandra D'Aloya (Galeria Fortes Vilaa) e Daniel Roesler (Galeria Nara Roesler)
Paula Alzugaray e Nina Gazire

Entrevista com Galeristas Nacionais
 
Entre os dias 13 e 16 de setembro, a segunda edio da ArtRio Fair coloca o Brasil em destaque no calendrio das feiras de arte internacionais. Em uma srie de entrevistas especiais a Revista Isto conversou com alguns galeristas brasileiros sobre o interesse internacional sobre o mercado de arte nacional e sobre como as feiras de arte vem desempenhando um papel importante no fomento  arte do Brasil. Confira a entrevista com as galeristas Luciana Brito (Luciana Brito Galeria), Alessandra DAloya (Galeria Fortes Vilaa) e Daniel Roesler (Galeria Nara Roesler) sobre as expectativas para ArtRio Fair:
 
Entrevista com Luciana Brito-Luciana Brito Galeria-So Paulo

Galerias brasileiras passaram a ser mais requisitadas por colecionadores e instituies estrangeiras diante do atual cenrio de crescimento?
 Sem dvidas. Alm de estarmos vivendo isso, existem nmeros que provam. Se eu no me engano a Abact (Associao Brasileira de Arte Contempornea) fez uma pesquisa recentemente sobre isso. Eventos como as feiras SPArte e ArtRio, bem como a Bienal de So Paulo tambm movimentam muito o mercado e fidelizam esses clientes.

Apesar da iseno fiscal concedida nas ltimas feiras brasileiras (SP-Arte e ArtRio), o que falta ainda por parte do governo e do setor fiscal para impulsionar a circulao e o mercado da arte brasileira no setor internacional?
 Os impostos devem ser revistos no s para durante as feiras. Ainda  muito alto o custo de importar e nacionalizar uma obra no Brasil. O setor de artes no Brasil est ganhando cada vez mais notoriedade e cresce exponencialmente.  muito importante que as regras fiscais sejam revistas para acompanhar esse momento.

Tem sido comum durante as feiras de arte brasileiras o incentivo a aquisio e doao de obras para colees de Museus e outras Instituies de arte por empresas. Mesmo assim, a prtica desse tipo de ao  escassa no cenrio nacional. Por que se investe pouco no colecionismo da arte contempornea quando esse setor nunca esteve em tanta evidncia? Que incentivos deveriam ser criados para modificar esse cenrio?
 Acho que ainda  deficiente devido  falta de incentivo e conhecimento. Educao e informao contam muito nessas horas e quase nunca acompanham a onda de crescimento do setor. Isso  uma caracterstica do Brasil, no s para o setor das Artes. Mas tambm acredito que esteja mudando, melhorando.
 
A sua galeria j teve obras adquiridas ou doadas  colees brasileiras ou internacionais? Quais?
 Sim, muitas. Nem saberia dizer. Todos os artistas que representamos possuem obras em colees importantes, sejam doadas ou adquiridas.

Feiras de arte se multiplicam pelo mundo. Por que  importante estar na maioria delas? Quantas feiras a galeria far este ano? Qual  a mais importante para a galeria?
 Participamos de uma mdia de 8 feiras por ano. As feiras so um canal no s para vendas, mas tambm para conexes, contatos e visibilidade. As feiras servem tambm como um termmetro para o setor. Ficamos atualizados com o que acontece no mundo nessa rea participando das feiras. No acho que exista uma feira que se destaque para a galeria. Cada uma tem sua vantagem.
 
Entrevista com Daniel Roesler- Galeria Nara Roesler - So Paulo

Galerias brasileiras passaram a ser mais requisitadas por colecionadores e instituies estrangeiras diante do atual cenrio de crescimento? 
J faz algum tempo que o interesse internacional pela arte brasileira aumentou. Hoje  normal recebermos visitas de colecionadores estrangeiros na galeria em So Paulo. Alm disso, depois de anos participando de feiras internacionais, temos uma rede de relaes com colecionadores e instituies de bom tamanho.
 
Apesar, da iseno fiscal concedida nas ltimas feiras brasileiras (SP-Arte e ArtRio), o que falta ainda por parte do governo e do setor fiscal para impulsionar mais ainda a circulao e o mercado da arte brasileira no setor internacional?
 Acredito que a iseno fiscal oferecida na feira _ a iseno de ICMS_ deveria ser transformada em definitiva para estimular a circulao cultural. A arte ainda  tratada um como bem de consumo de luxo. Porm, o incentivo deve desonerar igualmente as importaes e a circulao domstica. No mnimo o Mercosul deveria ter uma livre circulao de obras, sem barreiras  importao. A APEX (Agncia Brasileira de Promoo de Importaes e Investimentos) tem atuado no estmulo  exportao com timos resultados. Acho que esse projeto poderia ser incrementado e ganhar nova escala.
 
Tem sido comum durante as feiras de arte brasileiras o incentivo a aquisio e doao de obras para colees de Museus e outras Instituies de arte por empresas. Mesmo assim, a prtica desse tipo de ao  escassa no cenrio nacional. Por que se investe pouco no colecionismo da arte contempornea quando esse setor nunca esteve em tanta evidncia? Que incentivos deveriam ser criados para modificar esse cenrio?
 Acredito que a escassez se deva mais ao processo usado nas leis de incentivo, que dificulta programas de aquisio dos museus _o museu precisa aprovar no Ministrio da Cultura um projeto de aquisio de obras especficas, comprovar preos com trs fornecedores e conseguir os patrocinadores_ o que resulta em uma enorme lentido neste processo e muitas dificuldades prticas. Ainda h a questo de que o percentual de iseno da Lei Rouanet faz com que somente empresas muito grandes tenham volume suficiente para bancar os projetos. Seria importante pulverizar a possibilidade de apoio para formao de colees entre empresas de tamanho menor. Empresas familiares, por exemplo, poderiam ter mais vnculos com colees de arte , ao invs de focar a captao de recursos apenas por grandes corporaes que esto em busca de oportunidades de marketing.
 
A sua galeria j teve obras adquiridas ou doadas  colees brasileiras ou internacionais? Quais?
 O MoMA adquiriu obras de Abraham Palatnik, Antnio Manuel, Cao Guimares. A Tate Gallery tem na coleo Paulo Bruscky e Antnio Manuel. O Walker Art Center adquiriu obras de Hlio Oiticica & Neville D'Almeida. O SFMoMA possui trabalhos de Cao Guimares. Na Espanha, a Coleccin Jumex, o Museu de Madri, o Centro de Arte de Burgos e a Fondation Cartier, que  francesa, adquiriram obras do artista Jos Patrcio.
 
Feiras de arte se multiplicam pelo mundo. Quantas feiras a galeria far este ano? Qual  a mais importante para a galeria?
 As feiras so o ponto de encontro do mundo da arte. L, em quatro dias, se do trocas muito importantes entre os colecionadores, curadores, galeristas e artistas. A construo das relaes tambm  acelerada com os encontros nas feiras. Esse ano estaremos em sete, todas importantes pro nosso projeto de galeria.
 
Entrevista com Alessandra D'Aloia, Galeria Fortes Vilaa_ So Paulo

Feiras de arte se multiplicam pelo mundo. Por que  importante estar na maioria delas?
 As feiras de arte se tornaram importantes centros por atrarem um pblico especializado, e proporcionarem a atuao de uma rede de contatos altamente especializada. Hoje curadores, galeristas e artistas viajam o mundo para participar de feiras com o intuito de acompanhar, adquirir ou ainda conhecer o melhor da produo dos artistas. No entanto, no creio que seja importante estar na maioria delas, e sim traar uma estratgia que se encaixe com o perfil da galeria e de seus artistas. Para uma galeria jovem  importante fazer muitas feiras, para ns  importante estar apenas onde j construmos uma base. Felizmente o Brasil j comporta duas feiras, a SP Arte e a ArtRio, com visibilidade internacional.
 
Quantas feiras far este ano? Qual  a mais importante para a galeria?
 Faremos 6 feiras no total. Fizemos a Frieze NY em Maro, a SP Arte em Maio, Basel em Junho, e faremos a ArtRio em Setembro, Frieze em Outubro e Miami Basel em Dezembro. Cada uma delas tem seu diferencial, as vendas devem sempre entrar como um fator primordial pelo investimento que representam, mas tambm h questes de visibilidade, alcance curatorial e institucional, ou formao de mercado (novos colecionadores). Em resumo, cada uma delas  importante por um motivo diferente, se a feira no tem nenhum destes pontos fortes, no vale a pena faz-la,  muito trabalho.
 
A feira  importante para compor parcerias com galerias estrangeiras?
  extremamente importante. Temos que entender que as feiras nos do possibilidades muito alm de s vender uma obra de arte. Ali  um grande ponto de encontro onde artistas galeristas, curadores e museus se encontram, trocam idias, exposies, e vendas. Muitas parcerias acontecem numa feira, tanto de novos artistas para expor em nossa galeria assim como parcerias de nossos artistas em outras galerias.  o caso de Iran do Esprito Santo e Leda Catunda que abriram ontem uma mostra em Buenos Aires, na galeria Ruth Benzacar. Esta exposio foi planejada h 2 anos atrs em Miami Basel e um Museu Argentino j sonda os artistas para fazer uma exposio, razo a qual esta parceria  fundamental.
 
Que impacto a crise econmica teve no mercado de arte contempornea?
 Em 2008 quando o mercado internacional sofreu a crise econmica estvamos em Londres, e achamos que no venderamos nada. De fato a crise veio, mas o mercado no parou. Acredito que haja hoje mais conscincia na hora de comprar arte por parte do mercado internacional, e o Brasil passa por um momento ureo onde alm de sermos procurados por colecionadores internacionais e grandes museus com interesse em nossa arte, despertamos o interesse por parte do brasileiro que ainda no comprava , possibilitando galerias e museus a transform-los em futuros colecionadores.
 
Apesar, da iseno fiscal concedida nas ltimas feiras brasileiras, O que falta ainda por parte do governo e do setor fiscal para impulsionar mais ainda a circulao e o mercado da arte brasileira no setor internacional?
 Hoje o governo trata a arte da mesma forma que trata a indstria de calados, por exemplo. O que falta  transformar e olhar para esta indstria como uma indstria cultural. Falta o governo tomar conhecimento de dados quantitativos de nossa rea. Em Dezembro de 2007, um grupo de galerias fundou a ABACT- Associao Brasileira de Arte Contempornea, com o intuito de mapear as necessidades deste mercado. Fizemos primeiramente um planejamento estratgico que nos ajudou a compreender nossos gargalos e priorizar nossas aes. Dois anos depois assinvamos o Convnio entre ABACT e APEX. Um dado importante para mencionar  que o governo no nos via at ento como um setor e isso  grave. Em Abril do ano passado, com o intuito de ampliar nossas aes com o governo e trazer apoio ao setor, a ABACT se reuniu com o BNDES com a finalidade de criar parcerias e buscar apoio. Hoje taxamos em at 60% a importao de uma obra de arte brasileira(ou internacional), impedindo que a cultura volte para casa. Por causa do potencial de negcios apontados pelas feiras de arte no Brasil, o governo inicia uma diminuio das taxas de importao, que se estende ao perodo da feira, e que atrai galerias a investirem em nosso pas, mas isso est longe de ser nossa soluo.  


14. ARTES VISUAIS - Especial ArtRio Fair - Entrevista Brenda Valansi

Diretora da feira de arte do Rio de Janeiro fala sobre expectativa em relao a segunda edio do evento
Paula Alzugaray e Nina Gazire

Entrevista Brenda Valansi- Diretora da Feira ArtRio Fair
 
Brenda Valensi, ao lado dos scios Alexandre Accioly, Luiz Calainho e Elisangela Valadares, comanda a ArtRio Fair, feira internacional de arte contempornea do Rio de Janeiro que teve sua primeira edio realizada em setembro de 2011. Em sua segunda edio, o evento atraiu grandes galerias internacionais, como por exemplo, a galeria Gagosian que participa pela primeira vez de uma feira de arte brasileira. Na edio de 2012, a ArtRio recebeu cerca de R$ 9, 5 milhes em investimentos, ter a participao 120 galerias nacionais e internacionais que reuniro mais de mil artistas no pier Mau. Ao todo, o evento vai gerar 820 empregos diretos, com expectativas de vendas em torno de 150 milhes de reais. Em entrevista, Brenda Valansi fala sobre o crescimento do mercado de arte impulsionado pelas feiras de arte nacionais e sobre o interesse de galerias internacionais em eventos brasileiros:
 
Segundo pesquisa realizada pela ABACT/Apex, o volume de negcios das galerias brasileiras de arte contempornea cresceu em mdia 44% nos ltimos dois anos. Bem acima de outros setores da economia. Qual o papel das feiras brasileiras nesse processo?
 As feiras tem um grande papel no aumento do mercado, pois promovem o intercmbio entre galerias nacionais e internacionais. Alm de atrarem um grande nmero de pblico que so compradores em potencial. A ArtRio investe bastante na aproximao do pblico com a arte com o movimento que criamos, onde alm da feira, tambm promovemos palestras, concertos e bastante contedo atravs do portal artirio.art.br
 
A expanso da programao ArtRio para alm dos limites da feira segue algum modelo internacional?
 As feiras internacionais promovem visitas a casa de colecionadores e estdios de artistas. Porm, nenhuma feira que eu conhea tem um movimento que perdura todos os dias do ano.
 
Houve um crescimento considervel de galerias participantes de 2011 para 2012. A meta  continuar ampliando o espectro? Qual a estratgia para crescer e manter a qualidade?
 Estamos no mximo de nossa capacidade com 4 armazns no pier Mau. Nosso objetivo no  crescer em nmero de galerias, mas sim em qualidade de eventos paralelos.
